segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Exercício físico e diminuição da mortalidade cardiovascular


Estudos epidemiológicos indicam que o estilo de vida sedentário associa-se a um risco duplamente elevado de doença arterial coronariana (Miller, Balady, Fletcher; 1997). Foi observada uma redução em torno de 20%a 25% no risco de morte nos pacientes pós-infarto do miocárdio que estavam em programa de reabilitação cardiovascular, quando comparados aos pacientes submetidos a tratamento convencional, não utilizando exercício.
Em 1999, Belardinelli e colaboradores realizaram o primeiro ensaio clínico randomizado a demonstrar que a reabilitação cardíaca tem impacto sobre a mortalidade, como desfecho duro nesse subgrupo de pacientes 31. Dos 99 sujeitos que participaram do estudo, os cinqüenta indivíduos randomizados para programa de exercício físico por 14 meses apresentaram redução na mortalidade por todas as causas (42%), por causas cardíacas (22%), além de diminuição consistente na taxa de re-internação hospitalar por insuficiência cardíaca (19%), quando comparados aos 49 arrolados para o grupo controle.
Tanto em pacientes portadores de cardiopatia, como em indivíduos saudáveis, observa-se uma forte associação entre baixa capacidade física e risco de morte (Belardinelli e colaboradores, 1999).

Referências Bibliográficas

Miller TD, Balady GJ, Fletcher GF. Exercise and its role in the prevention and rehabilitation of cardiovascular disease. Ann Behav Med 1997; 19: 220-229.

Myers J. Exercise and cardiovascular health. Circulation 2003; 107: E2-E5.

Belardinelli R, Georgiou D, Cianci G, et al. Randomized controlled trial of long-term moderate exercise training in chronic heart failure: effects on functional capacity, quality of life, and clinical outcome. Circulation 1999; 99: 1173–82.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Treinamento de força para crianças e adolescentes


Crianças e adolescentes podem fazer treino de força? O que algumas entidades têm a dizer sobre isso?

(URTADO, 2013) 

Vejamos a seguir alguns benefícios do treinamento de força (TF) para esse público.

 (URTADO, 2013) 

Segundo o American Academy of Pediatrics (2001), o treinamento de força em pré-adolescentes pode aumentar a força e, concomitantemente, promover ganhos na massa isenta de gordura.
No estudo de Feigenbaun e colaboradores (1999), notou-se aumento na força e na resistência muscular de crianças e adolescentes voluntários do estudo, as mesmas realizaram alta (6-8 repetições) e moderada intensidade (13-15 repetições).
Suman e colaboradores (2003) encontraram aumento significativos na força muscular em jovens entre 7 e 17 anos, participantes de um programa de TF.
Watts e colaboradores (2005) observaram aumento da força máxima e isométrica em crianças e adolescentes participantes de um programa de TF.

Referências

AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Strength training by children and adolescentes. Pediatrics, v. 107, n. 6, 2001.

FEIGENBAUN, M. S.; POLLOCK, M. L. Prescription of resistence training for health and disease. Medicine and Science in Sports and Exercise, v. 31, n. 1, 1999.

SUMAN, D. H. e colaboradores. Effects of exogenous growth and exercise on lean mass and muscle function in children with burns. J. Appl. Physiol., v. 94, n. 2, 2003.

WATTS, K. e colaboradores. Exercise training normalizes vascular dysfunction and improves central adiposity in obeses adolescents. J. Am. Coll. Cardiol., v. 43, n. 10, 2004.

URTADO, C. B. Aula da pós-graduação Lato Sensu de Treinamento de Força para grupos especiais (UNESA). Recife. 2013.


Treinamento de força e definição muscular


A definição muscular Ocorre pela grande redução do percentual de gordura corporal, o qual os músculos ficam visivelmente delineados (“desenhados”) no corpo, um corpo definido geralmente fica com um percentual de gordura igual ou menor a 10%. Logo, o treino de força entra como um tipo ideal de exercício para promover ganhos de massa muscular e redução de gordura, provocando assim a definição muscular.
Mas, Qual o número ideal de repetições para se obter hipertrofia o que você me responderia? Seria 10? 12? 15? 20? 25 ou mais? 
A resposta correta é que não existe número ou fórmula mágica ou certa para reduzir gordura ou definir a musculatura.
Para diminuir o percentual de gordura com o intuito de melhorar a definição muscular, as pessoas devem adotar uma dieta muitas vezes hipocalórica, com pouco carboidrato e gordura, e/ou até rica em proteínas, o que muitas vezes pode diminuir o rendimento nos treinos de força. Em outras palavras, o que vai ocasionar definição muscular, não é o treino em si, a dieta balanceada entra como papel fundamental para isso ocorrer (TEIXEIRA; GUEDES JÚNIOR, 2013).
Em um recente estudo de revisão sobre o impacto do treinamento de força na redução da gordura corporal, Silva Filho (2013) afirma que existem relatos de que programas de treinamento que exploram entre 8 e 15 repetições são efetivos para diminuição significativa do percentual de gordura corporal.
Numa revisão sistemática de vários ensaios clínicos feita pelos autores Silva Filho e Ferreira (2014), os mesmos concluíram, que no que tange ao número de repetições no delineamento de programas de treinamento força para a redução da gordura corporal, o número médio de repetições ficaram entre 9 e 12.
Com base na literatura analisada, da mesma forma que a hipertrofia parece não ser dependente do números de repetições e nem da carga, o mesmo acontecer com o processo de diminuição do percentual de gordura corporal , ou seja, a definição muscular (TEIXEIRA; MONTOYAMA; GENTIL, 2015).
Há de se considerar que uma combinação de variáveis (ex. intervenção dietética + treinamento físico) é necessária para que os resultados sejam potencializados (TEIXEIRA; MONTOYAMA; GENTIL, 2015).

Referências bibliográficas

SILVA FILHO, J. N. Treinamento de força e seus benefícios voltados para um emagrecimento saudável. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício. Vol. 7. Núm. 40. 2013.

SILVA FILHO, J. N.; FERREIRA, R. A. Número de repetições utilizadas no treino de força para o emagrecimento: uma revisão sistemática. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.8, n.49, p.705-711. Set./Out. 2014.

TEIXEIRA, C. V. L. S.; GUEDES JÚNIOR, D. P. Musculação – perguntas e respostas: as 50 dúvidas mais frequentes nas academias. São Paulo. Editora Phorte. 2013.

TEIXEIRA, C. V. L. S.; MONTOYAMA, Y.; GENTIL, P. Musculação: crenças vs. evidências. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo. v.9. n.55. p.562-571. Set./Out. 2015.