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sábado, 15 de junho de 2019

Treinamento funcional


O corpo humano é projetado para funcionar como uma unidade, com os músculos sendo ativados em sequências especifica para produzir um movimento desejado. Em cada movimento, vários músculos estão envolvidos e todos eles realizam uma função diferente. O sistema nervoso central (SNC), além de diferentes funções motoras, é responsável pela ativação muscular e programado para organizar esses movimentos. Através de diferentes sinais enviados ao SNC, partindo da pele, das articulações e dos músculos, são detectados detalhes sobre a posição de cada parte do corpo em relação ao ambiente proposto e as outras partes corporais, a velocidade do movimento e o ângulo articular.

Com esse propósito, o Treinamento Funcional foi criado nos Estados Unidos por diferentes autores desconhecidos e, vem sendo muito bem difundido no Brasil, ganhando inúmeros praticantes. Tem como princípio preparar o organismo de maneira íntegra, segura e eficiente através do centro corporal, chamado nesse método por CORE.

Vários dos objetivos desse método de exercício representam uma volta à utilização dos padrões fundamentais do movimento humano (como empurrar, puxar, agachar, girar, lançar, dentre outros ), envolvendo a integração do corpo todo para gerar um gesto motor específico em diferentes planos de movimento. Um exemplo contrário a esse método é o trabalho isolado do corpo para gerar um gesto motor específico, como visto na musculação tradicional.

Essa visão abrangente permite que o Treinamento Funcional atinja o objetivo de controlar o sistema músculo-esquelético, sem abrir mão do aperfeiçoamento do sistema sensório-motor e proprioceptivo, geralmente esquecido pelos treinamentos convencionais. Além disso, a postura do corpo humano é controlada diretamente através destes órgãos sensitivo, que tem entre suas principais funções, a regulação do equilíbrio e a orientação do corpo no ambiente. No entanto, esse treinamento visa aprimorar ou resgatar a eficiência do movimento humano para atividades do cotidiano.

Utilizando uma correta e planejada periodização e respeitando a individualidade biológica e a especificidade objetivada de cada um dentro dos princípios do treinamento desportivo, os movimentos que compõem o Treinamento Funcional, realizados sobre uma biomecânica corporal correta, claramente poderão trazer os benefícios desejados pelo praticante, seja este um atleta, um indivíduo fisicamente ativo ou uma pessoa sedentária que deseja ingressar na atividade física.

Utilizando aparelhos alternativos ou acoplados aos aparelhos de musculação, exigirão de maneira mais significativa dos proprioceptores corporais para a execução das atividades. Contudo, os exercícios podem ser realizados com o peso do próprio corpo, cabos, elásticos, pesos livres, base de suporte instável e reduzida, medicine balls, bolas suíças, trazendo benefícios mais significativos à capacidade funcional do corpo. São exercícios bastante motivacionais e desafiadores, onde o indivíduo que segue esse método, acompanhado de um instrutor capacitado, graduado em Educação Física, tem a possibilidade de alcançar a funcionalidade corporal natural de seu organismo, além de “gerar” um corpo saudável e bem condicionado. Porém, para o efetivo resultado do Treinamento Funcional é indispensável o empenho e a dedicação do indivíduo.

O programa de exercícios funcionais traz vários benefícios tanto ao corpo como também à mente. Vejamos alguns dos muitos benefícios do método:

>> Desenvolvimento da consciência sinestésica e controle corporal;
>> Melhoria da postura;
>> Melhoria do equilíbrio muscular;
>> Diminuição da incidência de lesão;
>> Melhora do desempenho atlético;
>> Estabilidade articular, principalmente da coluna vertebral;
>> Aumento da eficiência dos movimentos;
>> Melhora do equilíbrio estático e dinâmico;
>> Melhora da força, coordenação motora;
>> Melhora da resistência central (cardiovascular) e periférica (muscular);
>> Melhora da lateralidade corporal;
>> Melhora da flexibilidade e propriocepção;
>> Dentre outras qualidades necessárias e indispensáveis para a eficiência diária e esportiva.

Vale à pena lembrar que uma avaliação física funcional prévia deve ser realizada para que se possam saber quais destas qualidades e quais os padrões de movimentos necessitarão de mais atenção na prescrição dos programas de exercícios, e assim, serem estimuladas corretamente.

Referência

MONTEIRO, A.; CARNEIRO, T. Treinamento funcional. Link: http://www.posugf.com.br/


sábado, 6 de fevereiro de 2016

Princípio da individualidade biológica no treinamento desportivo


Segundo Tubino (1984), “define-se individualidade biológica o fenômeno que explica a variabilidade entre elementos da mesma espécie, o que faz com que não existam pessoas iguais”. Cada ser humano possui uma estrutura e uma formação física e psíquica próprias e, por isso, individualizar os estímulos de treinamento apresentaria melhores resultados, uma vez que seriam obedecidas as características e as necessidades individuais dos praticantes de esporte.
Isso possibilita o entendimento de como crianças da mesma faixa etária, ou atletas da mesma especialidade, podem ter respostas diferenciadas frente a um mesmo tipo de treinamento. Pode-se, inclusive, chegar aos mesmos desempenhos por meio de atividades totalmente distintas.
Cada indivíduo é único e, por isso, cada indivíduo traz para o esporte as suas próprias aptidões, capacidades e respostas aos estímulos do treino. Crianças e atletas diferentes responderão de formas diferentes ao mesmo tipo de treino. Assim, não existe uma forma de treino ideal que produza resultados ótimos para todos. O professor-treinador precisa entender esse princípio e aplicá-lo, de forma a respeitar os diferentes tempos de aprendizagem que os alunos apresentam para uma determinada tarefa, ou mesmo compreender a lentidão na melhora do desempenho de um aluno-atleta. Esse conhecimento deve englobar os vários fatores que afetam a organização do programa individual de treino, dentre os quais destacamos: a hereditariedade, a idade biológica e a idade de treino.

Referência

TUBINO, Manoel José Gomes. Metodologia científica do treinamento desportivo. 3.ed. São Paulo: Ibrasa, 1984.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Contribuições do brinquedo e do ato de brincar para crianças


O brinquedo e o ato de brincar são fundamentais porque contribuem para o desenvolvimento da imaginação infantil.
Os educadores e os pais podem utilizar o brincar como instrumento para o desenvolvimento das crianças e jovens, oferecendo-lhes oportunidades para criar, explorar, divertir e experienciar os jogos. Em um espaço adequado para brincar, as crianças farão as escolhas sobre o que elas brincam e com quem manifestam esse desejo. Neste espaço, os pais atuam como o Educador do Brincar. O ato de brincar promoverá mudanças tanto nas pessoas, como no contexto infantil e social em que vivem.
Para Silva e Gonçalves (2010), o brincar e o jogar são momentos sagrados na vida de qualquer indivíduo. É com a prática dos jogos e das brincadeiras que as crianças ampliam seus conhecimentos sobre si, sobre os outros e sobre o mundo que está ao seu redor, desenvolvem as múltiplas linguagens, exploram e manipulam objetos, organizam seus pensamentos, descobrem e agem de acordo com as regras, assumem papel de líderes e interagem com outras crianças, preparando-se para um mundo socializado.
O brinquedo (e o ato de brincar) completa o mundo mágico infantil, pois é uma das principais formas de autodescoberta e de vivências da própria criança. Possibilita a percepção de seus limites e de suas possibilidades, explorando seu ambiente - através de suas brincadeiras - de uma maneira saudável e produtiva, contribuindo assim para a integração de suas primeiras experiências culturais.
A importância do brinquedo decorre de sua capacidade de instigar a imaginação infantil. Ao ver o brinquedo, a criança é tocada pela sua proposta, reconhece umas coisas, descobre outras, experimenta e reinventa, analisa, compara e cria. Sua imaginação se desenvolve e suas habilidades também.
O brinquedo e as brincadeiras são excelentes oportunidades para nutrir a linguagem verbal, para que esta se torne mais fluente e haja maior interesse pelo conhecimento de palavras novas. A variedade de situações que o brinquedo possibilita pode favorecer aquisição de novos conceitos.
É na magia do brinquedo que ela desenvolve a autoestima, a imaginação, a confiança, o controle, a criatividade, a senso-percepção, a cooperação e o relacionamento interpessoal. A participação de um adulto ou criança mais velha enriquece o processo do brincar.
Brincando, a criança desenvolve potencialidades: ela compara, analisa, nomeia, mede, associa, calcula, classifica, compõe, conceitua, cria, deduz etc.
Sua sociabilidade se desenvolve. Ela faz amigos, aprende a compartilhar e a respeitar o direito dos outros, bem como as normas estabelecidas pelo grupo. Também aprende a envolver-se nas atividades apenas pelo prazer de participar, sem visar recompensas nem temer castigos. Brincando, a criança estará buscando sentido para sua vida. Sua saúde física, emocional e intelectual depende, em grande parte, dessa atividade lúdica.
Conclui-se que o brincar é fundamental para o desenvolvimento integral das crianças, bem como para a socialização dos pais com seus filhos. 

Autor do Texto:
Tiago Aquino da Costa e Silva (Paçoca): Membro do “LEL - Laboratório de Estudos do Lazer” – UNESP/ Rio Claro. Prêmio TOP FIEP BRASIL “Melhor Profissional de Educação Física” – 2011 e 2013. Coordenador da Pós-Graduação em Lazer e Recreação – FMU e UGF. Presidente da “ABRE - Associação Brasileira de Recreadores”. Co-autor do livro “Manual do Lazer e Recreação” Phorte Editora. Apresentador do Programa “Lazer em Ação: Criatividade & Negócio” – PhorteTV.