sábado, 10 de setembro de 2016

Carga e repetições nos exercícios de força não exercem total influência nos ganhos de massa muscular


A pergunta que nunca quer calar a carga e as repetições influenciam nos ganhos de massa muscular? Muitas pessoas ainda têm essa dúvida, mas pensando nisso, um estudo conduzido por Mitchell e colaboradores (2012) teve como objetivo verificar se a carga e o número de repetições influencian no aumento da massa muscular.
Para a realização desse estudo foram recrutados dezoito homens com média de idade de 21 anos treinados, que fizeram treino de pernas, por um período de 10 semanas, com sessões de treino de 3x/semana. 
Os voluntários foram divididos aleatoriamente em três grupos da seguinte maneira:

Grupo (30% - 3) à 30% de 1RM com 3 séries até a falha;
Grupo (80% - 1) à 80% de 1RM com 1 série até a falha;
Grupo (80% - 3) à 80% de 1 RM com 3 série até a falha.

No final do estudo foi verificado que não houve diferença significativa entre os grupos: 

Grupo (30% -3) teve aumento de 6,8 ± 1,8% em massa muscular;
Grupo (80% -1) teve aumento de 3,2 ± 0,8% em massa muscular;
Grupo (80% -3) teve aumento de 7,2 ± 1,9% em massa muscular.

Logo, a conclusão que se chega é que a carga e as repetições não influenciam no ganho de massa muscular, o importante é treinar até a falha, não importando se é muita carga e pouca repetição ou o contrário. 

Referência bibliográfica

Mitchell, C. J.; Churchward-Venne, T. A.; West, D. W.; Burd, N. A.; Breen, L.; Baker, S. K.; Phillips, S. M. Resistance exercise load does not determine training-mediated hypertrophic gains in young men. Journal of Applied Physiology. Vol. 113. Núm. 1. p. 71-77. 2012.


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Treinamento de força e promoção da saúde


Saúde x Inatividade física

Estudos epidemiológicos demonstram que a inatividade física aumenta substancialmente a incidência relativa de doença arterial coronariana (45%), infarto agudo do miocárdio (60%), hipertensão arterial (30%),câncer de cólon (41%), câncer de mama (31%), diabetes do tipo 2 (50%) e osteoporose (59%).  As evidências também indicam que a inatividade física está associada à mortalidade, morbidade, obesidade, maior incidência de quedas e debilidade física em idosos, dislipidemia, depressão, demência, AIDS, ansiedade e alterações do humor (GUALANO; TINUCCI, 2011).
Para muitas pessoas, saúde ainda está associada à simplesmente ausência de doenças, sendo que o conceito de saúde é abrangente. Na atualidade, saúde tem sido definida não apenas como a ausência de doenças, condição humana caracterizada pelo bem estar físico, social, psicológico e espiritual (BARROS; NAHAS, 2003).
Segundo alguns autores e/ou instituições (ACSM, 2015; GUEDES, SOUZA JÚNIOR, ROCHA, 2008; NAHAS, BARROS, FRACALACCI, 2000; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004), para ter saúde se deve:

>> Manter o peso corporal dentro da normalidade (IMC entre 18 e 29);
>> Consumir mais frutas e verduras, pelo menos 5 porções diariamente;
>> Trocar gorduras saturadas de origem animal por gorduras insaturadas de origem vegetal;
>> Diminuir a quantidade de alimentos gordurosos, salgados e doces no regime alimentar;
>> Não fumar e evitar bebidas alcoólicas em excessos.
>> Não entregar-se aos vícios;
>> Devemos sair do sedentarismo;
>> Fazer exercício físico diariamente, mínimo 3x/semana;

Treinamento de força como meio de promover saúde

O treinamento de força (TF), também conhecido como treinamento contra resistência, treinamento com pesos ou, popularmente, musculação. É uma das formas mais populares de exercício para melhorar a aptidão física e para o condicionamento em geral. Um programa de treinamento de força bem elaborado e consistentemente desenvolvido pode produzir alterações na composição corporal, na força, na hipertrofia muscular e no desempenho motor que muitos indivíduos desejam (FLECK, KRAEMER, 2006).
O treinamento de força tem sido apontado como excelente ferramenta para o aprimoramento da qualidade de vida, além de ser importante no tratamento de diversas patologias (GRAVES, FRANKLIN, 2006; MCARDLE, KATCH, KATCH, 2003; POWERS, HOWLEY, 2005; FLECK, KRAEMER, 2006, GUEDES, SOUZA JÚNIOR, ROCHA, 2008).
Logo, vejamos os benefícios do treinamento de força para promover saúde(MCARDLE, KATCH, KATCH, 2003; POWERS, HOWLEY, 2005; FLECK, KRAEMER, 2006, GUEDES, SOUZA JÚNIOR, ROCHA, 2008; FLECK, KRAEMER, 2006; BOMPA, CORNACHIA, 2000):

>> Aumento de força;
>> Aumento de massa magra (hipertrofia muscular);
>> Diminuição da gordura corporal;
>> Melhoria do desempenho físico em atividades esportivas e da vida diária;
>> Melhoria do desempenho motor (p. ex., tiro de corrida, arremesso de um objeto, subir escadas etc.);
>> Tratamento e reabilitação de doenças;
>> Redução da gordura corporal, inclusive a da região visceral;
>> Melhoria do desempenho físico de vida diária;
>> Melhoria da postura;
>> Diminuição da incidência de lesão;
>> Melhoria do desempenho motor;
>> Melhora da resistência central (cardiorrespiratória) e periférica (muscular);
>> Redução dos fatores de risco para doença arterial coronariana;
>> Redução da mortalidade e da morbidez;
>> Menor ansiedade e depressão;
>> Sensações de bem-estar aprimoradas;
>> Fortalecimento do sistema imunológico, dentro dos seus limites;
>> Melhora e controle das funções endócrinas;
>> Redução de colesterol total, LDL e outras alterações bioquímicas.

Referências

(ACSM). AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. Diretrizes do ACSM: Para os Testes de Esforço e Sua Prescrição. 9 ed. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 2015.

BARROS, M. V. G.; NAHAS, M. V. Medidas da atividade física: teoria e aplicação em diversos grupos populacionais. 1ed. Londrina: Midiograf. 2003.

BOMPA, T.O; CORNACCHIA, L.J. Treinamento de Força Consciente. São Paulo. Editora Phorte, 2000.GUALANO, B.; TINUCCI, T. Sedentarismo, exercício físico e doenças crônicas. Rev. bras. Educ. Fís. Esporte, São Paulo, v.25, p.37-43, dez. 2011.

FLECK, S. J.; KRAEMER, W. J. Fundamentos do treinamento de força muscular. 3ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

GUEDES, D. P.; SOUZA JÚNIOR, T. P.; ROCHA A. C. Treinamento personalizado em musculação. São Paulo: Phorte, 2008.

GRAVES, J.E.; FRANKLIN, B.A. Treinamento resistido na saúde e reabilitação. Rio de Janeiro. Revinter. 2006. p 440.

MCARDLE, W.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. 5ª edição. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan. 2003.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. O que é vida saudável?. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.

NAHAS, M.V., BARROS, M.V.G., FRANCALACCI, V. O pentáculo do bem estar: base conceitual para avaliação do estilo de vida de indivíduos e grupos. Revista brasileira de atividade física e saúde. v. 5, n. 2, 2000, p.48-59.


POWERS, S. K.; HOWLEY, E. T. Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao condicionamento e ao desempenho. 5 ed. Barueri: Manole, 2005.


terça-feira, 6 de setembro de 2016

TPM - Tensão Pré-Menstrual


A TPM ou Tensão pré-menstrual é o período cíclico que precede a menstruação. Em algumas mulheres, a TPM é interrompida somente com o fim do fluxo. A principal causa da TPM é a alteração hormonal feminina durante o período menstrual. É importante ressaltar que essa tensão acompanha a menstruação normal da mulher, ou seja, a TPM é normal.
Os sintomas na TPM podem ser físicos ou emocionais causando desconforto na mulher, geralmente desaparecem no primeiro dia do fluxo menstrual.  Já foram identificados aproximadamente 150 sintomas durante a TPM. Vejamos a seguir alguns dos principais sintomas físicos e emocionais da TPM.

>> Sintomas Emocionais: Depressão; Vontade de chorar; Irritabilidade; Ansiedade; Insônia; Fome em excesso ou falta de apetite; Sonolência; Dificuldade de concentração; Cansaço; Etc.

>> Sintomas Físicos: Dor de cabeça; Acne; Aumento de peso; Inchaço nas mamas; Dores osteomusculares; Distensão gasosa; Dores lombares; Etc.

Mas a TPM, por mais normal que seja, pode atrapalhar a vida pessoal e profissional de diversas mulheres por todo o mundo em todos os meses e essa tensão é gerada por alterações hormonais que antecedem a menstruação.
Sintomas altamente intensos (exagerados) e de difícil convivência a mulher deve procurar ajuda médica (ginecologista), em alguns casos ajuda de um(a) Psicólogo(a) ou Psiquiatra. Neste caso, os médicos podem ser receitar medicamentos para controlar os devidos sintomas.
A participação e o apoio do marido (isso vale para o noivo ou namorado) são fundamentais nesse momento e o mesmo deve ajudar a esposa (noiva ou namorada), oferecendo total apoio a ela.
Há formas de contornar a TPM, mas como fazer isso? Para amenizar os sintomas da TPM, sugerem-se as seguintes dicas:

>> Realize atividades que proporcionem bem-estar, como passear no parque;
>> Faça uma atividade física. Pode ser uma caminhada ao ar livre, andar de bicicleta, nadar, jogar tênis, musculação realizada levemente etc. Isso ajuda a reduzir a tensão e a melhorar a autoestima;
>> Evite agendar compromissos importantes para os dias que antecedem a sua menstruação;
>> Procure cuidar de seu corpo, mesmo que você não vá sair de casa. Isso também ajuda a elevar a sua autoestima;
>> Afaste os pensamentos negativos, procure ser otimista e mentalize coisas boas;
>> Procure fazer uma alimentação balanceada com verduras, frutas e legumes;
>> Diminua o sal. Ele ajuda a desencadear os inchaços (sintoma normal da TPM), pois contribui na retenção de líquidos;
>> Redobre os cuidados com a pele. O aumento de oleosidade da pele e surgimento de acnes está relacionado com esse período. Mantenha a pele sempre limpa;
>> Evite o consumo excessivo de carboidratos e açúcares, como doces e chocolates. Pois provocam aumento de peso.

Referências

TPM - Tensão pré-menstrual. Disponível em: http://www.gineco.com.br/saude-feminina/doencas-femininas/tpm/
Tensão pré-menstrual. Disponível em: http://drauziovarella.com.br/mulher-2/tensao-pre-menstrual-2/
KRAUSE, W. Exercício Físico e Gravidez. Aula do Curso de Pós-graduação Lato Sensu de Exercício Físico Aplicado à Reabilitação Cardíaca e Grupos Especiais. UGF/UNESA. Recife. 2014.
  

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Benefícios de cada tipo de atividade física

  


>> Musculação ou treinamento de força:
Aumento de força;
Hipertrofia muscular;
Redução da gordura corporal;
Melhoria do desempenho físico em atividades esportivas e da vida diária;
Melhoria da postura;
Diminuição da incidência de lesão;
Melhoria do desempenho motor;
Melhora da resistência central (cardiorrespiratória) e periférica (muscular);
Redução dos fatores de risco para doença arterial coronariana;
Redução da mortalidade e da morbidez;
Menor ansiedade e depressão;
Sensações de bem-estar aprimoradas;
Fortalecimento do sistema imunológico, dentro dos seus limites;
Melhora e controle das funções endócrinas;
Redução de colesterol total, LDL e outras alterações bioquímicas.

(MCARDLE, KATCH, KATCH, 2003; POWERS, HOWLEY, 2005; FLECK, KRAEMER, 2006, GUEDES, SOUZA JÚNIOR, ROCHA, 2008)

>> Atividades aeróbias (corrida, ciclismo, caminhada):
Redução da gordura corporal;
Melhoria do desempenho físico em atividades esportivas e da vida diária;
Melhoria do desempenho motor;
Melhora da resistência central (cardiorrespiratória) e periférica (muscular);
Redução dos fatores de risco para doença arterial coronariana;
Redução da mortalidade e da morbidez;
Menor ansiedade e depressão; Sensações de bem-estar aprimoradas;
Fortalecimento do sistema imunológico, dentro dos seus limites;
Melhora e controle das funções endócrinas;
Redução de colesterol total, LDL e outras alterações bioquímicas.

(MCARDLE, KATCH, KATCH, 2003; POWERS, HOWLEY, 2005)

>> Treinamento funcional:
Melhoria do desempenho físico em atividades esportivas e da vida diária;
Melhoria do desempenho motor;
Desenvolvimento da consciência sinestésica e controle corporal;
Melhoria da postura;
Melhoria do equilíbrio muscular;
Diminuição da incidência de lesão;
Estabilidade articular, principalmente da coluna vertebral;
Melhoria da postura corporal;
Aumento da eficiência dos movimentos;
Melhora do equilíbrio estático e dinâmico e Melhora da coordenação motora.

(MONTEIRO, CARNEIRO, 2012; MONTEIRO, EVANGELISTA, 2012)

>> Atividades aquáticas (natação, hidroginástica):
Sociabilização;
Melhora da resistência central (cardiorrespiratória) e periférica (muscular);
Recuperação muscular;
Menor ansiedade e depressão;
Sensações de bem-estar aprimoradas.

(ALBERTON et al., 2005; PINTO et al., 2006).

>> Alongamentos:
Melhora a flexibilidade corporal e Melhora da postura.

(GUISELINI, 2014)

Referências Bibliográficas

ALBERTON, C. L et al. (2005). Behavior of oxygen uptake in water exercises performed at different cadences in and out of water. Med Sci Sports Exerc. v. 37, n.5. 2005

FLECK, S. J.; KRAEMER, W. J. Fundamentos do treinamento de força muscular. 3ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

GUEDES, D. P.; SOUZA JÚNIOR, T. P.; ROCHA A. C. Treinamento personalizado em musculação. São Paulo: Phorte, 2008

GUISELINI, M. Aquecimento multifuncional: Fundamentos e exercícios práticos. 2014

McARDLE, W.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003

MONTEIRO, Artur; CARNEIRO, Thiago. O que é treinamento funcional?. Disponível em:http://www.arturmonteiro.com.br/2010/04/o-que-e-treinamento-funcional/. Acesso em: 07 de julho de 2012.

MONTEIRO, G. M.; EVANGELISTA, A. L. Treinamento funcional: uma abordagem prática. 2. ed. São Paulo: Phorte Editora, 2012.

POWERS, S. K.; HOWLEY, E. T. Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao condicionamento e ao desempenho. 5 ed. Barueri: Manole, 2005


sábado, 16 de julho de 2016

Atividade física reduz o risco de câncer


Os resultados de diversos estudos epidemiológicos sugerem que a atividade física reduz o risco de câncer. Muitos estudos concluíram que o sedentarismo aumenta a possibilidade de surgimento de alguns tipos de câncer, principalmente o de cólon. Nos seres humanos há muitos fatores que podem influir o aparecimento e crescimento tumoral, como estilo de vida e fatores ambientais e genéticos. Dessa forma, há boas razões para pensar que a atividade física possa exercer efeito protetor contra neoplasias malignas. Contudo, pode-se recomendar o exercício regular de intensidade moderada para a prevenção do câncer. A escolha do tipo de exercício ou esporte pode ser um fator importante, já que dependerá das possibilidades individuais.

Referência Bibliográfica


Ortega, E.; Peters, C.; Barriga, C.; Lötzerich, H. Atividade Física reduz o risco de câncer?. Rev Bras Med Esporte, V. 4, N. 3, 1998.


quarta-feira, 6 de julho de 2016

Números de repetições e hipertrofia muscular


Se eu lhe perguntasse qual o número ideal de repetições para se obter hipertrofia o que você me responderia? Seria 10? Ou 8? Algo em torno de 12? Infelizmente muita gente ainda acredita em um número lendário de repetições considerado ideal. Quem nunca fez uma série de “três de dez” (3 X 10)? Parece que há um limite mágico a partir do qual a hipertrofia começa a surgir (geralmente 8) e acima do qual ela magicamente é interrompida (normalmente 12), parece que o músculo possui um contador implacável acionando os sinais de hipertrofia quando se supera a sétima repetição e os interrompendo a partir da décima terceira.
Definitivamente o referido contador não existe, e esta rigidez numérica é totalmente desprovida de comprovações confiáveis. Não me entendam mal, o número de repetições é um fator fundamental, mas jamais deve ser analisado isoladamente dentro do complexo contexto que origina a hipertrofia muscular, para sermos mais precisos devemos analisar a velocidade da contração tanto excêntrica quanto concêntrica, tempo de pausa na contração e no alongamento, ênfase dada em determinados ângulos etc... A fim de ilustrarmos o contexto multifatorial seguem dois exemplos (pense na rosca bíceps direta realizada com o protocolo clássico de 3 x 10, variando a carga de acordo com série):

1. Na primeira série imagine-se levando um segundo para realizar cada repetição, na segunda aumente o tempo de cada repetição para 6” e na terceira suba para 15”. No primeiro caso sua série estaria acabada em 10 segundos, no seguinte ela levaria 1 minuto, já no último você demoraria algo em torno de 2 minutos e meio.
Aqui há notáveis diferenças entre as vias metabólicas necessárias para manter o exercício, no primeiro caso recorrer-se-ia prioritariamente à via anaeróbia alática ou creatina-fosfato (utilizando prioritariamente os fosfatos de alta energia), já a segunda série entraria em maiores escalas no metabolismo anaeróbio glicolítico, provavelmente aumentando as concentrações de lactato e reduzindo o pH, e o terceiro provavelmente já começaria a entrar no metabolismo aeróbio ou oxidativo. Do ponto de vista neuromuscular os três protocolos produzirão diferentes estímulos e distintos padrões de recrutamento das unidades motoras. Portanto ocorreriam adaptações diferenciadas para cada caso.

2. Agora imagine que você sempre leva 6 segundos para realizar cada repetição, sendo que na primeira série “sobe” o peso em 1 segundo e o “desce” no mesmo tempo, mantendo o peso na posição de descanso durante os 4” restantes, na série seguinte a cadência seria de 1 segundo na subida e 5 na descida, com o contrário na terceira 5” para subir e 1” para descer ambas sem nenhum descanso na fase inicial/final do movimento
Aqui teríamos novamente três trabalhos distintos, com diferentes respostas adaptativas bioquímicas e morfológicas. E antes de sair por aí dizendo que existe um número ideal de repetições para hipertrofia é necessário que se conheça os prováveis mecanismos de hipertrofia, como:

>> Respostas hormonais.
Tempos de contração moderados a altos e descasos curtos entre as séries produzem maiores picos de GH, porém lembre-se que é discutível a influência deste hormônio na hipertrofia muscular. Já os treinos de cargas altas com períodos longos de descanso, liberam maiores quantidades de testosterona (KRAEMER et al, 1990).

>> Hidratação celular 
Para que se consiga um melhor fluxo sanguíneo local é recomendável não prolongar muito os descansos e manter tempos de contração suficientes para originar os desequilíbrios na homeostase necessários a ocorrência desta reação (diminuição do pH, elevação do lactato etc.).

>> Microlesões 
As microlesões são geradas principalmente por contrações excêntricas, então “SEGURE A DESCIDA!”, no caso de exercícios de puxadas, “SEGURE A SUBIDA!”. As microlesões são essenciais para o ganho e aumento de massa muscular, pois há uma ativação de células satélites, estas se adaptam e se “convertem” a células musculares. 

>> Tempo de contração x repetições
Note que eu falei em tempo de contração e não repetições, prefiro usar este termo e livrar-nos desta prisão algébrica e da famigerada 3x10. Muitos autores atribuem a hipertrofia ao tempo em que o músculo permanece sob tensão e não somente a determinados algarismos. Segundo VERKHOSHANSKY (2000) “a chave para o tamanho muscular é levantar um peso de cerca de 80% do máximo por 8-12 repetições durante 40-60 segundos” (p.27). POLIQUIN por exemplo, refere-se a tempos entre 20 e 70 segundos como ideais para ganhos de massa muscular. Este autor propõe uma perspectiva de análise onde leva-se em conta o tempo da fase excêntrica, da pausa e da fase concêntrica, por exemplo, realizar agachamento com 3 séries de 6 repetições com tempo 321, significa que você levaria 3 segundos para descer, pararia no “fundo” do agachamento durante 2 segundos e subiria em 1 segundo (o primeiro digito se refere a fase excêntrica o segundo a pausa e o terceiro a fase concêntrica).

Conclusão

Esqueça a fórmula mágica, esqueça “o número ideal de repetições”, esqueça o que você leu em revistas “especializadas” e esqueça as séries imutáveis.
Para alcançar seus objetivos é imprescindível usar racionalmente todas as estratégias. Segundo boa parte dos verdadeiros especialistas tempos de contração próximos aos 60 segundos, com repetições durando entre 4 e 6 segundos (tempos 3010 a 4020) seriam indicados para compor a maior parte da elaboração dos treinamentos de hipertrofia, porém esta metodologia não deve ser a única.
Prender-se a números de repetições pode até prejudicar seu desenvolvimento. O segredo está em manipular todas as variáveis de acordo com o músculo, características individuais e o objetivo do treino. Deve-se organizar tudo adequadamente dentro de um planejamento em curto prazo, que deve estar devidamente estabelecido no planejamento de médio prazo, o qual por sua vez é componente do planejamento em longo prazo. A montagem e prescrição de séries são fatores muito complexos e o menor detalhe deve ser visto sempre como componente desta estrutura intrincada e potencialmente instável, o sucesso tem muito a ver com o conhecimento e manipulação destas variáveis, daí a importância de ter um bom profissional lhe acompanhando.

Referência

GENTIL, P. Bases científicas do treinamento de hipertrofia. Rio de Janeiro/RJ: Sprint, 2005. 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A célula: unidade básica do ser vivo


A unidade viva fundamental do corpo é a célula e cada órgão é um agregado de muitas células diferentes, mantidas unidas por estruturas intercelulares de sustentação. Cada tipo de célula é especialmente adaptado para a execução de uma função determinada. Por exemplo, os glóbulos vermelhos do sangue, um total de 25 trilhões de células, transportam oxigênio dos pulmões para os tecidos. Embora esse tipo de célula talvez seja o mais abundante, é possível que existam outros 75 trilhões de células. Todo o corpo é formado, então, por cerca de 100 trilhões de células.
Embora as inúmeras células do corpo possam, muitas vezes, diferir acentuadamente entre si, todas apresentam determinadas características básicas que são idênticas. Por exemplo, em todas as células, o oxigênio reage com carboidratos, gordura ou proteína para liberar a energia necessária ao funcionamento celular. Ainda mais, os mecanismos gerais para a transformação dos nutrientes em energia são, em termos básicos, os mesmos em todas as células e, igualmente, todas as células eliminam os produtos finais de suas reações químicas para os líquidos onde ficam imersas.
Quase todas as células também têm capacidade de se reproduzir e, sempre que células de determinado tipo são destruídas por qualquer causa, as células remanescentes do mesmo tipo regeneram, com muita frequência, novas células até que seja restabelecido seu número adequado.

Referência


GUYTON, A.C.; HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 9. ed., Rio de Janeiro, Guanabara Koogan,1997.


terça-feira, 7 de junho de 2016

Dieta balanceada


Uma dieta bem balanceada deve conter quantidades adequadas dos nutrientes essenciais, proteína, gordura, carboidratos, vitaminas, minerais e água. Algumas pessoas se concentram no consumo de um grupo alimentar e se esquecem dos outros. Como consequência não conseguem muitos ganhos ou ficam gordos. É o caso daqueles que consomem excessivas quantias de carboidratos com o intuito de ganhar peso, e ganham, mas em gordura.
Embora todos precisem de nutrientes essenciais e energia, as proporções diferem conforme a fase da vida. A criança tem necessidades diferentes das do avô, e a gestante tem necessidades distintas de sua filha adolescente. As necessidades também variam conforme o sexo. Além disso, variações individuais do estilo de vida podem determinar diferentes exigências de nutrientes. Um corredor de longa distância em treinamento para uma maratona tem necessidades nutricionais um tanto diferentes das de um sedentário. O indivíduo que tenta perder peso precisa equilibrar as perdas calóricas com a adequação de nutrientes. A pessoa que deseja ganhar peso precisa aumentar o nível de nutrientes de forma equilibrada, para ganhar músculos, e não gordura. Assim, há inúmeras condições que podem influenciar as necessidades de nutrientes e o conceito de dieta balanceada. 
Com uma dieta balanceada é possível atingir os objetivos que queremos em nosso corpo com qualidade. 

FONTE: Guia de Nutrição – Definição Total