quinta-feira, 8 de junho de 2017

Agrupamento, Grupo e Equipe. Qual a diferença entre os três?



Agrupamento, grupo ou equipe são palavras bem utilizadas no nosso cotidiano, seja no trabalho, na escola ou faculdade, na igreja etc., mas essas três palavras têm significados diferentes, mas vocês sabem qual(is) a(s) diferença(s) entre as três, veremos a seguir.
Agrupamento é quando as pessoas estão reunidas, porém cada uma tem um objetivo a seguir, sem haver relações afetivas entre elas. O grupo é quando as pessoas estão reunidas e possuem um mesmo objetivo, havendo uma relação afetiva entre elas, mas não necessariamente haverá união de todos para atingir um determinado objetivo. Já a equipe se dá quando as pessoas estão reunidas e possuem um mesmo objetivo, havendo uma relação afetiva e deve haver união entre todos os envolvidos para atingir um determinado objetivo.
Mas tem como transformar um grupo numa equipe? A resposta é sim, tem como fazer isso, é só seguir algumas diretrizes, expostas a seguir.

Haver uma boa comunicação, emitindo mensagem de forma clara e objetiva e receber a mensagem da mesma forma;
Tentar resolver os conflitos;
Proporcionar situações em que os membros se conheçam;
Diferenciar fato de opinião;
Estabelecer elos de confiança;
Evitar rotatividade de funcionários numa empresa de forma exagerada.

Espero que tenham entendido a diferença entre os três.

Fonte: Aula da Graduação de Educação Física (UPE) na disciplina de Psicologia do Esporte, ministrada por Ana Elizabeth Vieira da Cunha. 2010.


sexta-feira, 2 de junho de 2017

O que é Personal Training e Personal Trainer?


O que é o Personal Training?

É um treinamento personalizado com aplicação de exercícios visando aprimorar a aptidão física do indivíduo, sendo que essa proposta vai de encontro aos objetivos do aluno/cliente.
Este serviço é oferecido àqueles que desejam ter exclusividade, objetividade e eficiência no planejamento e na execução de seu treinamento. As aulas são agendadas e têm a duração de 40 minutos a 1 hora. É interessante ressaltar que o atendimento pode ser realizado de forma individual ou em duplas.
O indivíduo que trabalha com o treinamento personalizado é chamado de Personal Trainer ou Treinador Pessoal.

O que é o Personal Trainer?

É o profissional de Educação Física, devidamente registrado no Sistema CONFEF-CREF, capacitado e habilitado com diversas funções, como:

>> Avaliar o cliente nos aspectos fisiológicos e biomecânicos para melhor adequação do exercício, de acordo com suas características individuais;
>> Avaliar e adequar condições de espaço e tempo disponíveis para atender melhor seu cliente;
>> Prescrever planos de exercícios de acordo com os objetivos do cliente, considerando sempre a sua individualidade biológica (limites e experiências do corpo em relação a exercícios físicos), com cargas adequadas às suas necessidades; 
>>Avaliar periodicamente os resultados e programar novos exercícios, com o objetivo de obter resultados satisfatórios;
>> Promover saúde e qualidade de vida do cliente por meio da prática de exercícios físicos.

Alguns Personal Trainers fazem trabalhos realizando a chamada Consultoria Fitness, que pode ser feita Online ou Presencial

O que é a Consultoria Fitness?

Este serviço é oferecido para quem já possui experiência com treinamento, mas precisa de um estímulo e de uma orientação profissional. Desta maneira, é realizado um plano de treino de acordo com as características e objetivos do indivíduo.
É sempre bom lembrar que a avaliação física é a forma mais correta para avaliar as particularidades do aluno/cliente, bem como a progressão de seu rendimento. Periodicamente o treinamento vai sofrendo alterações, de acordo com o objetivo solicitado e o planejamento realizado.

Referências

GUEDES, D. P.; SOUZA JÚNIOR, T. P.; ROCHA A. C. Treinamento personalizado em musculação. São Paulo: Phorte, 2008.

Equipe Guilherme Diel. Treinamento personalizado e avaliação física. Disponível em: http://www.guilhermediel.com.br/site/default.asp?TroncoID=816064&SecaoID=938472&SubsecaoID=0   

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Princípio da reversibilidade no treinamento desportivo


O princípio da reversibilidade guarda a seguinte ideia: “o que não se usa, perde-se”. Segundo Barbanti (2010), esse princípio assegura que as alterações corporais obtidas com o treinamento físico sejam de natureza transitória. Assim, as mudanças funcionais, morfológicas e de desempenho das capacidades físicas adquiridas com o treinamento retornam aos níveis iniciais após a sua interrupção.
Esse retorno ocorre na mesma velocidade da aquisição, ou seja, aquilo que se ganhou rapidamente é perdido também rapidamente, ao passo que aquisições realizadas lentamente, em um período prolongado, são mantidas com mais facilidade e desaparecem com mais lentidão. Essa definição de Barbanti remete ao pensamento de que, nas fases iniciais de trabalho, principalmente com crianças e jovens, a base deve ser construída lentamente e com uma grande diversidade de gestos motores, incluindo atividades lúdicas, brincadeiras etc.
Para evitar a estagnação do desempenho, considerando que os estímulos de treinamento causam um desequilíbrio na homeostase e que os atletas buscam se adaptar a esses estímulos para produzir um ganho de desempenho por meio de uma adaptação positiva, pode-se inferir que a ausência de variações nas cargas de treinamento pode deixar de produzir adaptações importantes para o desenvolvimento do aluno. Nesse sentido, a fim de se evitar essa estagnação, é importante considerar o princípio da sobrecarga (aumento da carga, do volume, da intensidade, das repetições etc.) para um desenvolvimento motor e cognitivo ótimo.

Referência bibliográfica


BARBANTI, V. J. Revisão científica do livro treinamento de força com bola: estabilidade total e exercícios com medicine ball. 2.ed. Barueri (SP): Editora Manole, 2010.


domingo, 28 de maio de 2017

Princípio da continuidade no treinamento desportivo



O estado de equilíbrio de nosso sistema é dinâmico e instável, adaptando-se constantemente às demandas internas e externas. Conforme se detecta que um arranjo estrutural esteja inadequado à situação atual, novas mudanças são sinalizadas por mecanismos de realimentação. Desta forma, para que um determinado estado sistêmico seja mantido, é necessário que se forneça continuamente estímulos que o justifiquem.
Dentro do treinamento desportivo, tal efeito é basilar para o princípio da continuidade, o qual determina que o treinamento deve ser repetido e ter sua estruturação ajustada continuamente para que sejam assegurados os resultados de longo prazo.
No treinamento de força objetivando ganhos de massa muscular, isso é particularmente evidente, pois a massa muscular mantida por grande parte dos atletas excede em muitas vezes a quantidade necessária para realizar as atividades diárias “comuns”, além disso, a construção do tecido muscular é altamente exigente em termos metabólicos, aumentando a necessidade de consumo calórico, algo que seria pouco útil para sobrevivência em condições primitivas. Deste modo, tão logo os estímulos sejam interrompidos, o corpo cuidará de se livrar do que for considerado desnecessário.

Referência bibliográfica


GENTIL. P. Bases científicas do treinamento de hipertrofia. 5ed. 2014.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

Exercício físico e Síndrome metabólica


A síndrome metabólica (SM) é caracterizada por um conjunto de fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e de diabetes mellitus tipo 2 (DM2), que se manifestam, em geral, mais concomitantemente do que isoladamente, e estão relacionados a obesidade (particularmente central), as elevações da pressão arterial, da glicemia e dos triglicerídeos e aos baixos níveis de HDLcolesterol (Vasconcellos e cols., 2013).
Nas últimas décadas, o numero de pessoas acometidas por um ou mais dos fatores de risco para SM tem aumentado drasticamente, tornando essa síndrome um problema de saúde pública em escala mundial. O tratamento da SM pode ser feito através de diferentes terapias, envolvendo recursos medicamentosos e não medicamentosos. No caso da terapia não medicamentosa, o exercício físico tem sido apontado como um importante instrumento, por atuar direta ou indiretamente no combate a todos os fatores de risco que compõem a SM (Vasconcellos e cols., 2013).
A prática regular de atividade física tem sido recomendada para a prevenção e reabilitação de doenças cardiovasculares e outras doenças crônicas por diferentes associações de saúde no mundo, como o American College of Sports Medicine, os Centers for Disease Control and Prevention, a American Heart Association, o National Institutes of Health, o US Surgeon General, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, entre outras (Ciolac e Guimarães, 2004).
Estudos epidemiológicos têm demonstrado relação direta entre inatividade física e a presença de múltiplos fatores de risco como os encontrados na SM. Entretanto, tem sido demonstrado que a prática regular de exercício físico apresenta efeitos benéficos na prevenção e tratamento da hipertensão arterial, resistência à insulina, diabetes, dislipidemia e obesidade. Com isso, o condicionamento físico deve ser estimulado para todos, pessoas saudáveis e com múltiplos fatores de risco, desde que sejam capazes de participar de um programa de treinamento físico (Ciolac e Guimarães, 2004).
Assim como a terapêutica clínica cuida de manter a função dos órgãos, a atividade física promove adaptações fisiológicas favoráveis, resultando em melhora da qualidade de vida (Ciolac e Guimarães, 2004).

Referências bibliográficas

CIOLAC, E. G.; GUIMARÃES, G. V. Exercício físico e síndrome metabólica. Rev Bras Med Esporte. Vol. 10, N. 4, 2004. p. 319-24.

VASCONCELLOS, F. V. A. e colaboradores. Exercício físico e síndrome metabólica. Revista HUPE, Vol.12, N.4, 2013. p.78-88.



sábado, 13 de maio de 2017

Recomendações para prescrição de treinamento de força para indivíduos com HIV


O treinamento de força prescrito para pessoas infectadas pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é capaz de promover aumento nos níveis de força, aumento da massa magra, redução da massa gorda, melhor distribuição da gordura corporal e melhorias no sistema imune inato e adquirido. O treinamento de força, nesse caso, procura manter ou aumentar a massa muscular, melhorando a aptidão física e qualidade de vida, reduzindo os fatores de morbidade e mortalidade.  
O American College of Sports Medicine recomenda para população saudável exercício a, pelo menos, 65% de 1‑RM, com 6 a 12 repetições para obter hipertrofia. Estudos mostraram que prescrições de treinamento resistido com 2 a 4 sessões semanais com cargas entre 50 e 80% de uma repetição máxima, utilizando‑se de séries simples, séries múltiplas ou treinamento concorrente são seguras e benéficas para portadores de HIV.
Porém, informações como: fase da doença, esquema de antirretrovirais, percepção de esforço e dieta não foram incluídos na maioria dos artigos observados. Isso minimiza as possibilidades de identificar os melhores métodos, intensidades e volume de treino respeitando a especificidade do público.

Referência


SOUZA, T. S. P. e colaboradores. Prescrição e efeitos do treinamento de força em pessoas vivendo com HIV/AIDS.  Revista Baiana de Saúde Pública. v.39, n.3, p.655-667 jul./set. 2015.


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Exercício físico e síndrome metabólica


A prática regular de atividade física tem sido recomendada para a prevenção e reabilitação de doenças cardiovasculares e outras doenças crônicas por diferentes associações de saúde no mundo, como o American College of Sports Medicine, os Centers for Disease Control and Prevention, a American Heart Association, o National Institutes of Health, o US Surgeon General, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, dentre outras.
Estudos epidemiológicos têm demonstrado relação direta entre inatividade física e a presença de múltiplos fatores de risco como os encontrados na síndrome metabólica. Entretanto, tem sido demonstrado que a prática regular de exercício físico apresenta efeitos benéficos na prevenção e tratamento da hipertensão arterial, resistência à insulina, diabetes, dislipidemia e obesidade.
Com isso, o condicionamento físico deve ser estimulado para todos, pessoas saudáveis e com múltiplos fatores de risco, desde que sejam capazes de participar de um programa de treinamento físico. Assim como a terapêutica clínica cuida de manter a função dos órgãos, a atividade física promove adaptações fisiológicas favoráveis, resultando em melhora da qualidade de vida.



Referência


CIOLAC, E. G.; GUIMARÃES, G. V. Exercício físico e síndrome metabólica. Rev Bras Med Esporte. Vol. 10, Nº 4, 2004.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Efeito do exercício físico no sistema imunológico em pessoas com câncer


Fairey et al. (2005) observaram aumento significativo na atividade de células matadoras naturais ou natural killers (NK) em pessoas com câncer (células que possuem ação antitumoral) após um período de treinamento aeróbio de quinze semanas com 70 a 75% do VO2máx.
Kelm et al. (2000) investigaram o efeito de um programa de treze semanas de treinamento de força e aeróbio realizado duas vezes por semana em pacientes com câncer submetidos a quimioterapia, e observaram aumento do número de células NK. Essa ativação imunológica foi acompanhada pelo aumento do desempenho físico e força e de melhora na qualidade de vida.
Um estudo conduzido por Peters et al. (1994) também demonstrou aumento da atividade das células NK após sete meses de treinamento de força em pacientes pósmenopausadas com câncer de mama. Apesar da quantidade reduzida de estudos, o exercício físico pode induzir o aumento da atividade das células NK, melhorando assim a resposta imune ao câncer. 
No entanto, outros estudos ainda precisam elucidar os efeitos do exercício sobre o sistema imune em pacientes com câncer. Esses resultados devem ser interpretados com cuidado e outras variáveis imunes precisam ser investigadas, como produção de imunoglobulinas, apresentação de antígeno, atividade microbicida, citotoxidade de linfócitos, apoptose, fagocitose e outras. Antes de se submeter a um programa de exercícios físicos procurar um médico e durante a prática procurar orientação de um profissional de Educação Física.

Referências

FAIREY, A. et al. Randomized controlled trial of exercise and blood immune function in postmenopausal breast cancer survivors. Journal of Applied Physiology, Bethesda, v. 98, no. 4, p.1534-1540, 2005.

KELM, J. et al. Auswirkungen eines kraft-und ausdauerorientierten traininh gs wahrend regionater chemotherapie bei metartasierendem rectum carcinoma. Fallstudiels beitragzur chururgirchen Onckologie, Der Cherurg, v.71, p. 944-948, 2000.

PETERS, C. et al. Influence of a moderate exercise training on natural killer cytotoxicity and personality trats in cancer patients. Anticancer Research, Kapandriti, v. 14, no. 3, p.1033-1036, 1994.


domingo, 16 de abril de 2017

Treinamento de força e envelhecimento


O envelhecimento é a consequência de alterações que os indivíduos demonstram de forma característica, com o progresso do tempo, da idade até o fim da vida (Singer, 1981 citado por Guedes, Souza Júnior, Rocha, 2008).
Segundo a OMS (2005), em países desenvolvidos, idosos são pessoas com 65 anos ou mais; já em países em desenvolvimento são pessoas com 60 anos ou mais.
Algumas alterações morfo-fisiológicas causadas pelo avanço da idade (Guedes, Souza Júnior, Rocha, 2008).



Uma destas grandes alterações bem nítida no processo de envelhecimento é a perda de massa muscular ou sarcopenia, pois vem junto com ela diversos agravantes, como: diminuição da força, da potência e resistência muscular, aumento do risco de quedas e fraturas, dificuldade em realizar trabalhos com pesos, e aumento da fadigo e da dificuldade em se exercitar (Fleck, Kraemer, 2006; Guedes, Souza Júnior, Rocha, 2008).
 O treinamento de força é uma atividade importante para idosos(Fleck, Kraemer, 2006; Guedes, Souza Júnior, Rocha, 2008; Mcardle, Katch, Katch, 2003) porque:

_ Melhor qualidade de vida,
_ Melhora força e resistência muscular;
_ Aumenta massa muscular;
_ Melhora a potência muscular;
_ Fortalecimento ósseo, prevenindo ou retardamento a osteopenia e osteoporose;
_ Prevenção de quedas devido ao do fortalecimento muscular;
_ Redução ou prevenção de fraturas e fissuras devido ao fortalecimento ósseo;
_ Fortalecimento das articulações, prevenindo ou retardando artrites e artroses;
_ Diminuição de lesões;
_ Aumento nas concentrações de hormônios anabólicos (IGF-1, testosterona).


Mas pessoas idosas (> 60 anos) devem procurar um médico e fazer um check up geral antes de iniciar a prática de exercícios físicos, principalmente se for sedentário. 

Referências

FLECK, S. J.; KRAEMER, W. J. Fundamentos do treinamento de força muscular. 3ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

GUEDES, D. P.; SOUZA JÚNIOR, T. P.; ROCHA A. C. Treinamento personalizado em musculação. São Paulo: Phorte, 2008.

MCARDLE, W.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. 5ª edição. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan. 2003.

(OMS) ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Definição de envelhecimento e idoso. 2005.




terça-feira, 11 de abril de 2017

Exercícios aeróbios e mitocôndrias


O exercício físico é uma das melhores maneiras de retardar o envelhecimento muscular, porque ele sintoniza melhor o metabolismo energético na mitocôndria.
O exercício aeróbico pode aumentar em 40 a 50% o número de mitocôndrias nas células musculares em 6 semanas. Para ter este benefício, você precisa correr, pedalar, nadar ou fazer outro exercício, a pelo menos metade da sua capacidade máxima por no mínimo 15 a 20 minutos por dia, 3 a 4 vezes por. Dessa forma você vai sentir menos fadiga, menos esforço dispendido e mais resistência. Isso porque as mitocôndrias vão estar queimando gordura com mais eficiência, ao invés de carboidrato, para ter energia. Para manter este novo nível de mitocôndrias você precisa manter a rotina de exercícios de no mínimo 3 vezes por semana. Exercícios de força, como musculação, talvez tenham menos efeitos sobre as mitocôndrias.
O exercício físico também pode prevenir e até diminuir o diabetes e a resistência à insulina por melhorar o funcionamento das mitocôndrias nas células pancreáticas (que produzem insulina) e por ajudar a queimar o excesso de gordura no músculo e no fígado.




terça-feira, 4 de abril de 2017

Unidade motora


A unidade motora (UM) é a unidade funcional da atividade neuromuscular, correspondendo ao conjunto formado por um neurônio e as fibras por ele inervadas. O número de fibras que compõem uma unidade motora determinará tanto sua capacidade de realizar força quanto a precisão de seus movimentos. No músculo ciliar, por exemplo, as unidades motoras contêm cerca de 10 fibras, enquanto no gastrocnêmio este número pode chegar a 1.000 (Fleck, Kraemer, 2004). As unidades motoras também podem variar de acordo com a característica das fibras que a formam, podendo ser compostas predominantemente de fibras tipo I ou tipo II.
Ao contrário do que se imagina habitualmente, a unidade motora não é composta de neurônios vizinhos, desta forma, fibras adjacentes não pertencem necessariamente a mesma unidade motora, o que permite que o músculo se contraia como um todo (Fleck, Kraemer, 2004).
Quando um estímulo é transmitido a uma unidade motora, ou todas suas fibras se contraem ou todas se mantêm relaxadas, em um fenômeno denominado lei do tudo ou nada. A gradação de força se dá não pelo número de fibras ativadas dentro de uma unidade motora, mas sim pelo número de unidades ativadas e pela atividade dos mecanismos de conexão-desconexão (também chamado contração-relaxamento) (Gentil,2014).

Referências

FLECK, S. J.; KRAEMER, W. J.. Designing Resistance Training Programs. Human Kinetics, Champaing, IL. 2004.

GENTIL, P. Bases científicas do treinamento de hipertrofia (Ebook). 5ed. Brasília, DF. 2014.


sábado, 25 de março de 2017

Princípio da adaptação ao treinamento


Nosso organismo vive em um estado dinâmico de equilíbrio, fruto da constante interação com o meio. Sempre que um estímulo externo o afaste deste equilíbrio, os padrões de organização do sistema são mudados para se ajustar à nova realidade, em uma tendência chamada auto-organização. Esta tendência em superar desafios externos por meio de mudanças estruturais é a base do princípio da adaptação, dentro do treinamento desportivo (Gentil, 2014). 
No treinamento de força, por exemplo, a sobrecarga imposta pelos exercícios afetará o funcionamento do organismo por meio do rompimento de sarcômeros, diminuição das reservas energéticas, acúmulo de metabólitos e outras alterações fisiológicas que fazem emergir a necessidade de um novo estado de organização, que nos torne aptos a sobreviver adequadamente nas novas condições, caracterizadas pela imposição de sobrecargas constantes, como no treinamento de longo prazo. Este novo estado de equilíbrio é promovido por processos específicos, que levarão a alterações estruturais como: aumento da secção transversa das fibras, maior eficiência neural, hiperplasia, mudanças nos tipos de fibras, aumento das reservas de energia, dentre outros (Gentil, 2014).
Muito mais que um princípio, a adaptação pode ser considerada uma lei, tanto que há autores que não a colocam como um dos princípios, mas sim como uma lei que rege o treinamento, do qual se derivam os princípios propriamente ditos (Weineck, 1999; Zatsiorsky, 1999). 
É importante frisar aqui que a adaptação não é imposta pelo meio, mas sim estabelecida pelo próprio sistema (Capra, 2000), portanto os resultados do treinamento não são consequências somente dos estímulos oferecidos, mas sim da reação do organismo a estes estímulos.

Referências

CAPRA, F. O ponto de mutação: a ciência, a sociedade e a cultura emergente. Editora Cultrix, São Paulo. 2000

GENTIL, P. Bases científicas do treinamento de hipertrofia. 5ed. 2014

WEINECK, J. Treino ideal. Editora Manole, São Paulo. 1999

ZATSIORSKY, V. M. Ciência e prática do treinamento de força. Phorte Editora, São Paulo. 1999


Ciclo alanina-glicose



Os aminoácidos dentro do músculo são transformados em glutamato e, a seguir, em alanina. A alanina liberada pelos músculos ativos é transportada até o fígado, onde é desaminada (processo em que se retira da molécula o nitrogênio, restando o esqueleto de carbono). O esqueleto de carbono restante é transformado em glicose (gliconeogênese) e, posteriormente, lançado no sangue e transportado até os músculos ativos.
Os fragmentos de carbono provenientes dos aminoácidos que formam a alanina podem ser oxidados, a seguir, para a obtenção de energia dentro da célula muscular específica. Após 4 horas de exercício contínuo de baixa intensidade, a produção hepática de glicose derivada da alanina pode ser responsável por 45% da glicose total liberada pelo fígado. A energia derivada desse ciclo pode atender de 10% a 15% da necessidade total do exercício.


Referência

DOTTO, R. P. Nutrição para atletas. Faculdade Unyleya. 2017


domingo, 19 de março de 2017

Exercício e bem-estar psicológico


Atualmente, existe um forte apelo à utilização de equipamentos que favorecem o sedentarismo, como o controle remoto, a escada rolante, os automóveis e os portões eletrônicos. Além disso, os serviços de entrega – os famosos delivery – tornam fácil o acesso à alimentação e aos medicamentos, ao mesmo tempo que evitam o esforço físico. Apesar dos benefícios que esses bens e serviços agregam à vida moderna, tais avanços não são interessantes para a saúde, uma vez que o sedentarismo e a obesidade, associados às complexas e urgentes demandas da sociedade atual, podem levar a transtornos de humor, ansiedade e depressão (SAMULSKI et al., 2009).
Guedes (1999) aponta que o termo saúde tem sido caracterizado de forma vaga e difusa. O autor relata que a Conferência Internacional sobre Exercício, Aptidão e Saúde, realizada no Canadá em 1988, produziu um documento com a finalidade de estabelecer um consenso quanto ao estado atual do conhecimento sobre esse termo. Com certificação da Organização Internacional para Padronização (International Standardization Organization – ISO), esse documento definiu saúde como uma condição humana de dimensões física, social e psicológica, e que se caracteriza por um continuum com polos positivos e negativos. Apesar de se tratar de um construto multidimensional, a discussão a seguir tem como foco a dimensão psicológica da saúde.
As pesquisas voltadas para os benefícios psicológicos da atividade física revelam que as pessoas que se exercitam regularmente apresentam tendência a ter melhor estado de humor, maior autoestima e melhor percepção de sua imagem corporal. Além disso, investigações como a desenvolvida por Craft (2005) ressaltam os efeitos antidepressivos do exercício físico. Esses efeitos ocorrem devido à liberação, pelo organismo e durante o exercício, dos hormônios neurotransmissores beta-endorfina e dopamina, que propiciam um efeito tranquilizante e analgésico no praticante regular, que frequentemente se beneficia de um efeito relaxante pós-esforço e, em geral, consegue manter um estado de equilíbrio psicossocial mais estável frente às ameaças do meio externo (MARIN NETO et al. apud CHEIK et al., 2003).
Para Samulski e colaboradores (2009), “a intensidade do exercício realizado com o objetivo de melhorar a saúde psicológica do indivíduo deve ser de nível moderado”. O autor faz essa recomendação como medida de segurança, pois existem divergências entre os estudos na área: certos pesquisadores recomendam intensidade alta, outros sugerem intensidade média e outros, ainda, indicam a baixa intensidade.
Por fim, a Sociedade Internacional de Psicologia do Esporte (ISSP apud SAMULSKI et al., 2009) publicou uma declaração afirmando que a prática de atividade física regular e controlada pode apresentar os seguintes benefícios psicológicos:

>> redução do estado de ansiedade;
>> redução do nível de depressão moderada;
>> redução da instabilidade emocional;
>> redução de vários sintomas de estresse;
>> produção de efeitos emocionais positivos.



Texto copiado e extraído de: Fundação Vale. Psicologia do Esporte. Brasília. 2013.


sábado, 18 de março de 2017

Princípio da Sobrecarga


Esse princípio consiste em sobrecarregar o organismo do atleta, de maneira adequada, variando-se a frequência, a intensidade, o volume e a duração do treinamento. A sobrecarga deve ser individualizada e aplicada de forma progressiva ao longo do processo de treinamento.
O estabelecimento de um novo arranjo estrutural é iniciado toda vez que nosso organismo é afastado de seu equilíbrio. A sobrecarga é justamente a magnitude deste desvio, determinada por aspectos qualitativos e quantitativos. Assim, o conceito de sobrecarga não é relativo aos fatores externos que atuam no sistema, mas sim a forma como o organismo responde a tais fatores.
Dentro do treinamento de força voltado para hipertrofia, o foco do princípio da sobrecarga tem sido desviado dos aspectos qualitativos para os aspectos quantitativos, sendo comum, por exemplo, aplicar o princípio do “quanto mais, melhor”, voltando a atenção para a quantidade de estímulos (séries, repetições e, principalmente, cargas utilizadas), ao invés das alterações promovidas pelos estímulos – o que acaba por transformar o princípio da sobrecarga, no princípio da carga. Entretanto, a sobrecarga que um treino proporcionará ao sistema não poderá ser entendida unicamente contabilizando o peso utilizado ou a quantidade de séries e repetições realizadas, mas principalmente através da qualificação das alterações fisiológicas proporcionadas, o que pode ser feita pela análise de fatores como: amplitude de movimento, forma de execução, tipos de contração, método de treinamento, intervalo de descanso etc.
A sobrecarga tem limites que devem ser respeitados, pois a capacidade de nosso corpo retornar ao equilíbrio é limitada. Estímulos que causem desvios pouco significativos não promoverão mudanças estruturais, sendo inócuos, no entanto estímulos que promovam desvios acima da capacidade auto-organizadora serão lesivos. Desta forma, a sobrecarga do treino deve estar dentro de uma margem controlada para que se chegue a um estado desejável e saudável.

Referência


GENTIL, P. Bases científicas do treinamento de hipertrofia. 5ed. 2014


sexta-feira, 3 de março de 2017

A diferença entre anabolizantes e suplementos alimentares


Quem pratica atividade física regularmente ou necessita de reposição de algum nutriente deve aderir à suplementação, com recomendação médica ou de um nutricionista. Já o anabolizante é perigoso e usado em casos muito restritos.
Os anabolizantes estão fortemente associados ao abuso em diversos esportes e por pessoas que desejam ganhar mais massa e definir o corpo de forma rápida. Eles têm efeito na estimulação do crescimento ósseo, do apetite, da puberdade e no crescimento muscular, mas também são criticados por causar vários efeitos colaterais. Por isso, muitos países controlam o uso dos anabolizantes, incluindo Brasil, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá. Oficialmente, no mundo dos esportes, o uso de anabolizantes é considerado “doping” e o atleta é penalizado, podendo ser banido definitivamente.
Ainda assim, os esteróides anabólicos, que surgiram na década de 1930, são utilizados no tratamento de algumas doenças. O produto serve para promover o crescimento celular e a sua divisão, desenvolvendo vários tipos de tecidos, principalmente o muscular e o ósseo. Para pacientes portadores do HIV, os anabolizantes são recomendados para recuperar peso. Também há orientações médicas para reposição de algum hormônio deficiente, mas, sempre são recomendados em baixa quantidade e limite do uso.
Segundo o nutrólogo Octaviano Cruz, alguns dos efeitos colaterais do uso de anabolizantes são o crescimento de mamas e redução dos testículos, para os homens, e aumento de características masculinas, irregularidades ou interrupção na menstruação e alteração do apetite, nas mulheres. Outros efeitos colaterais são aumento de acnes, distúrbios no fígado, retenção de líquido, alteração do humor, psicoses, comportamento agressivo e queda de cabelo.
Já os suplementos alimentares são, na maioria das vezes, vitaminas, aminoácios, proteínas e minerais que servem para complementar a alimentação. Segundo o médico, são importantes para pessoas com deficiências nutricionais de certas substâncias e também para garantir melhor desempenho aos praticantes de atividades físicas. Com prescrição médica ou nutricionista adequada, não há malefícios no consumo de suplemento, desde que seja feito de forma controlada. “O perigo existe quando o paciente compra os produtos por conta própria e utiliza sem nenhuma orientação profissional e em quantidades abusivas”, afirma o especialista.
Existem diversos tipos de suplementos alimentares, como os de valor energético alto, à base de carboidratos, os hiperproteicos, para ajudar na formação de músculos, e os ricos em aminoácidos. Também são considerados suplementos os produtos termogênicos, hormonais e polivitamínicos.

Matéria publicada no site UAI



domingo, 19 de fevereiro de 2017

Células tronco


São células encontradas em embriões, no cordão umbilical e em tecidos adultos, como o sangue, a medula óssea e o trato intestinal, por exemplo. Ao contrário das demais células do organismo, as células-tronco possuem grande capacidade de transformação celular, e por isso podem dar origem a diferentes tecidos no organismo. Além disso, as células-tronco têm a capacidade de auto-replicação, ou seja, de gerar cópias idênticas de si mesmas. As células-tronco podem ser utilizadas para substituir células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência, ou em tecidos lesionados ou doentes.
As pesquisas com células-tronco sustentam a esperança humana de encontrar tratamento, e talvez até mesmo cura, para doenças que até pouco tempo eram consideradas incontornáveis, como diabetes, esclerose, infarto, distrofia muscular, Alzheimer e Parkinson. O princípio é o mesmo, por exemplo, do transplante de medula óssea em pacientes com leucemia, método comprovadamente eficiente. As células tronco da medula óssea do doador dão origem a novas células sanguíneas sadias.

Fonte: ESCOLA DE MASSOTERAPIA – SOGAB. Disponível em: www.sagab.com.br


domingo, 29 de janeiro de 2017

As leis da alimentação – Leis de Escudero


A alimentação também é regulada por leis. Leis essas, que se fossem devidamente cumpridas não haveria excesso de peso, obesidade e muitas doenças relacionadas com os maus hábitos alimentares. É de recordar que a alimentação é também um importante factor de risco que leva à obesidade, diabetes, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares.
As leis da alimentação, também conhecidas como as leis de Escudero, foram criadas pelo médico argentino Pedro Escudero em 1940, sendo ainda aceitáveis nos dias de hoje. Segundo ele, as quatro leis que devem regular a alimentação do Homem são: Quantidade, Qualidade, Harmonia e Adequação. Comer de forma equilibrada conforme as leis da Alimentação é uma forma de cuidar da saúde.

Leis de Escudero

Lei da Quantidade: A quantidade dos alimentos deve ser suficiente para satisfazer as necessidades energéticas do organismo. Estas dependem do sexo, da atividade física e da idade. Quando se consomem mais calorias do que se gastam o corpo armazena em forma de gordura, produzindo-se assim a obesidade e os problemas a ela associados. Por outro lado, quando a ingestão de calorias é muito baixa, dá-se a malnutrição.

Lei da Qualidade: Os alimentos devem fornecer ao organismo todos os nutrientes essenciais para o seu correto funcionamento. Os nutrientes são essenciais para o crescimento e manutenção de um corpo saudável ao longo da vida.

Lei da Harmonia ou do Equilíbrio: Os alimentos devem guardar entre si uma relação de proporção de modo a evitar o excesso ou deficiências de nutrientes. O equilíbrio na combinação dos nutrientes é de suma importância para evitar a doença.

Lei da Adequação: A alimentação deve ser adequada a cada pessoa, repeitando as características de cada indivíduo, tendo em conta, os hábitos alimentares, a atividade física, a idade, o estado de saúde, o nível económico etc. Por exemplo as necessidades de uma grávida são diferentes das de uma pessoa idosa e, esta por sua vez, tem necessidades diferentes das de um desportista.

Alimentar-se é uma necessidade básica do Homem, imprescindível para viver. Os alimentos, quando bem escolhidos e combinados, são necessários para a manutenção da vida e da saúde, porém nem sempre o Homem come por esta única razão. Nos últimos tempos, o Boom dos alimentos refinados e calóricos fez com que a alimentação caracterize-se mais por excessos que deficiências.
A qualidade e quantidade dos alimentos que ingere cada pessoa repercutem-se na sua saúde e, por conseguinte, na sua qualidade de vida. Cada pessoa é, portanto, o resultado da sua nutrição, pelo que uma dieta saudável é a base de uma boa saúde.
Portanto a alimentação deve ser quantitativamente suficiente, qualitativamente completa, além de harmoniosa em seus componentes e adequada à sua finalidade e a quem se destina. O nutricionista é o profissional apto a aplicar estas leis em sua vida, respeitando a sua realidade.

Referências

CHEMIN S.M.S.S.; MURA J.D.P. Tratado de Alimentação, Nutrição e Dietoterapia. São Paulo: Roca, 2008.

WILLIANS, S. R. Fundamentos de Nutrição e Dietoterapia. Artes Médicas, Porto Alegre, 1997.

A minha dieta diária. As Leis da Alimentação – Leis de Escudero. Disponível em: http://www.aminhadietadiaria.com/alimentacao/as-leis-da-alimentacao-leis-de-escudero/